Ad Hominem – Sátira social e Black N’ Roll

É desta forma que Kayser, à frente dos destinos de Ad Hominem, descreve o novo álbum da banda.

Info: https://www.facebook.com/adhominemofficial/
Entrevista: CSA

Saudações, Kaiser! Cá estou de novo para te entrevistar sobre o segundo álbum de Ad Hominem lançado pela Osmose. Já te entrevistei a propósito do primeiro que lançaste por esta editora.

Estou a chegar aos 57 anos e – para mim – a palavra “napalm” evoca imediatamente a guerra do Vietname, um episódio bem deprimente da história do séc. XX (entre muitos outros, infelizmente). Também fazes esta associação?

Kayser – De facto, não, apesar de reconhecer que ela é perfeitamente normal. O napalm é – acima de tudo – uma das substâncias mais nocivas para o ser humano, dado queimar até ao osso, sem que seja possível pôr termo à combustão. Como é lógico, o ataque com napalm tem consequências irremediáveis para a vítima – a espécie humana, neste caso concreto.

Afinal, o que representa para ti a palavra “napalm”?

A purificação, a violência invencível. Em suma, uma solução para os problemas do nosso planeta.

[Napalm representa] A purificação, a violência invencível. Em suma, uma solução para os problemas do nosso planeta.

Por que queres lançar napalm sobre toda a gente?

Não tenho razões nenhumas para querer oferecer flores às pessoas. A espécie humana é nociva para o planeta e é cego aquele que crê que ainda poderá mudar alguma coisa. O ser humano é um animal corrompido que faz apodrecer tudo aquilo em que toca.

Já não sou um adolescente em plena crise e não pretendo gabar-me de detestar todas as pessoas que conheço. Mas, no fundo, se alguém viesse comunicar à humanidade que amanhã o mundo acabaria, eu seria o primeiro a sorrir.

Alguns dos títulos das canções deste álbum chamaram-me a atenção: “I Am Love”, “Consecrate the Abomination”, “Goatfucker”, “Vatican Gay”. Vê-se que manténs o teu tema habitual: a guerra contra a religião. A que se referem as outras canções do álbum?

De um modo geral, o álbum é muito satírico. É uma troça sem limites. Nele ajusto contas com as três religiões [monoteístas] e com a sociedade moderna na sua globalidade. Não há absolutamente nada de positivo nos textos, ao invés do que acontecia noutros álbuns, em que via a essa luz o culto de si mesmo. Aqui só há ódio, desprezo, violência, humilhação sexual, etc.

Certamente foste tu que compuseste a música e escreveste as letras. Que papel desempenharam os teus companheiros da banda na criação deste álbum? São simples comparsas na apresentação da obra de Ad Hominem nos concertos?

Como é habitual, fui eu que escrevi todas as canções integralmente, à exceção de “Vatican Gay”, para a qual só escrevi a letra. Foi o Milite AK, que é nosso guitarrista de sessão há mais de 10 anos, que compôs a música. Pareceu-me que devia dar-lhe a oportunidade de conferir ao álbum o seu toque pessoal, tendo em conta todo o seu contributo para a banda ao longo destes anos. Esta faixa é épica e muito Thrash, daí que eu a tenha escolhido para fechar o álbum.

O G Krusher encarregou-se dos arranjos e da interpretação da bateria. Contribuiu fortemente para a atmosfera violenta deste álbum, devido à sua maneira de tocar precisa e inspirada.

Este álbum é verdadeiramente feroz, mas tem um travo de Rock que o torna extremamente curioso sem prejudicar a sua mensagem. Podes explicar o que presidiu a esta associação entre Black Metal e Rock que alguns poderão considerar estranha?

Trata-se simplesmente do que eu faço melhor. Além disso, o Black N’Roll é o que passa melhor nos concertos. É também uma maneira de provar (embora eu não sinta necessidade de o fazer) que o Rock pode ser violento e agressivo. Pessoalmente, tenho vontade de pisar as pessoas com as minhas botas.

A capa de bastante simbólica (em relação à do álbum anterior – muito figurativa – onde se viam objetos que representavam as três religiões monoteístas).

– O que simboliza ela? “Convocaste” de novo o Dehn Sora para a criar?

Como o genial Dehn Sora não estava disponível, tive de recorrer a outra pessoa. O trabalho acabou por ser feito pelo Nikos da VsionBlack e, francamente, não estou desiludido. O Nikos é muito profissional e compreendeu logo o que se pretendia. Eu dei-lhe indicações. As cores a usar tinham de ser o preto e o dourado, para simbolizar uma coroação nos seus aspetos mais sombrios. Também quis que ele usasse linhas direitas e que desse ao desenho uma atmosfera de poder, grandeza, despotismo. O que lá podes ver é o logo da banda apresentado sob a forma de um brasão, brilhando esplendorosamente nas trevas que simbolizam o nosso mundo.

[…] o álbum é muito satírico. É uma troça sem limites. Nele ajusto contas com as três religiões [monoteístas] e com a sociedade moderna na sua globalidade. […]”

A editora explica – na informação sobre o álbum – que a recente formação permite a Ad Hominem apostar mais nos concertos.

Vão fazer alguns para promover este álbum? Planeaste alguma digressão? Vão participar em festivais? Haverá concertos em Portugal?

Esta formação não tem nada de recente, à exceção do Syval, que só entrou no ano passado. Ad Hominem é uma banda feita para o palco, mas são poucos os promotores que nos contactam, devido à imagem extremista da banda.

Para já, não tenho nada de especial a anunciar, a não ser que vai haver uma festa de lançamento do álbum, que terá lugar a 5 de maio, em Brescia, na Itália.

É claro que gostaria muito de voltar a tocar em Portugal, porque já participei no SWR Metalfest, em 2010. Para bom entendedor, meia palavra basta.

A relação com a Osmose está para durar?

Espero que sim. Entendo-me muito bem com o Hervé e a sua equipa e desejo continuar a trabalhar com esta editora, que está perfeitamente adaptada às características de Ad Hominem. Entre nós, há uma verdadeira cumplicidade e uma confiança inestimáveis.

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