End of Green – Nada vazios

Os END OF GREEN são, possivelmente, uma das mais adoradas no universo Doom/Gótico, no entanto, os germânicos nunca atingiram os picos de sucesso como outras bandas do género. Com o novo disco «Void Estate» a banda promove uma outra sonoridade e traz, quele que será o disco mais pessoal de sempre dos germânicos. Este foi o ponto de partida para uma conversa com o guitarrista Sad Sir.

Info: Facebook
Entrevista: Nuno Lopes

Os End of Green estão de regresso quatro anos após «The Painstream» que foi um disco muito bem recebido, estavam à espera desse tipo de reações?
Estando numa banda esperas sempre que não sejas a única pessoa a achar que estas canções são uma boa ideia! (risos) Por isso, acho que não estávamos à espera das reacções ao «The Painstream», apesar de ficarmos muito contentes com esse sucesso. É estranho que, mesmo depois de nove registos, de cada vez que um disco sai tens de te soltar dele e ver o que vai acontecer. Uma coisa não mudou de todo que é o facto de existirem sempre pessoas que vão odiar sem sequer dar uma oportunidade, mas há os outros que dão uma oportunidade e é para eles que fazemos os discos.

O presente é «Void Estate» e, uma vez mais, a banda alterou um pouco a sua sonoridade, já que este disco é mais calmo e profundo. Como é que olham para o disco e o que pensam sobre o resultado final?
Estou completamente de acordo contigo quando dizes que o disco é mais lento e profundo,as acrescentaria obscuro. Ficámos com toda a percepção do «Void Estate» assim que o terminámos e isso é muito porreiro porque quer dizer que ainda nos somos capazes de surpreender depois de tantos anos.

Ao longo destes anos tiveram a oportunidade de trabalhar e de serem «abençoados» por bandas ou pessoas como a Liv Kristine, In Extremo ou Paradise Lost. Como é que lidam com esses elogios e o que aprenderam com essas bandas?
(risos) Quem me dera ser abençoado pelos Paradise Lost, adoro-os! Uma vez vi uma entrevista deles a dizerem que existiam muitas bandas más e apontara para o palco quando estávamos nós a tocar, por isso acho que não gostam assim tanto de nós como nós deles. Os In Extremo, por outro lado, são provavelmente a banda mais porreira que conheci. Eles dão-nos um apoio tremendo e deram-nos oportunidades que só podíamos imaginar. Eles tem um espírito muito Punk Rock, adoro-os. Tivemos a oportunidade de conhecer a Liv Kristine quando gravámos o «Dead End Dreaming», ela é uma espécie de raio de luz e uma excelente cantora.

 

É estranho que, mesmo depois de nove registos, de cada vez que um disco sai tens de te soltar dele e ver o que vai acontecer.

 

Apesar do reconhecimento dessas bandas os End of Green nunca atingiram o sucesso ou um nível tão elevado de popularidade. A que achas que se deve isso?
(risos) Nunca vamos saber! Talvez não lidemos bem com as regras para o sucesso que vigoram no Rock. Mas também não quero amuar acerca de quão mau as coisas são, porque tudo corre bem nos End of Green. Temos uma base leal que nos segue e que se mostra interessada na nossa música, e isso é o que interessa. Sempre que uma banda a queixar-se de que deveriam ser maiores sinto-me mal e acho que é uma falta de respeito para quem gosta dessa banda, é quase como dizeres: «gosto muito da minha mulher mas deveria estar aí a comer umas modelos» (risos). Quão lixado isso pode ser? Gostamos de onde estamos e em muitos aspectos fomos nós que decidimos estar aqui. Cada um de nós acha que deveríamos ser a maior banda do mundo, obviamente o mundo não concorda ou não está a par disso. Mas apreciamos e agradecemos a todos os que olham para nós como supermodelos. (risos)

Os End of Green já foram descritos como Doom Metal, Gótico ou Alternativo, no entanto a banda descreve-se como Depressed Subcore. Qual o significado desta definição e como o descrevem?
Segundo as minhas regras, música para mau tempo é uma boa definição! Nunca me senti bem com o rótulo de Depressed Subcore mas, uma vez mais, se isso fizer com que as pessoas nos ouçam, não terei de levar a mal! Acho que os End of Green são uma banda com raízes em muitos estilos, não interessa se são Metal, Gótico, Post Punk, Country ou o que seja… uma boa canção é sempre uma boa canção. Não me interessa se é do Springsteen, de Autopsy ou dos Rocket From The Crypt.

Enquanto que «The Painstream» era mais global «Void Estate» parece ser mais pessoal e introspectivo, especialmente em canções como «The Door» ou «Dressed in Black Again». Este foi um disco baseado nas vossas experiências e qual o conceito que envolveu o disco?
Sempre fomos mito influenciados por tudo o que se passa à nossa volta, sejam os nossos amigos, familiares ou os nossos mais próximos. É isso que faz mexer o nosso mundo. O disco anterior também era muito pessoal mas estava «vestido» de outra forma. «Void Estate» é um disco pessoal na primeira pessoa. Tudo neste disco é um desafio sentimental para nós e é baseado em coisas que aconteceram na realidade nas nossas vidas. Não foi algo propositado mas aconteceu desta forma forma porque nos demos a liberdade ser completamente egocêntricos e honestos.

«The Unseen» é bem capaz de ser a vossa música mais esperançosa de sempre que, apesar de não trazer nada de novo ao vosso som, parece dar uma espécie de luz no ouvinte. Qual o significado desse tema?
És capaz de ouvir umas nove explicações sobre essa canção… e nós somos só cinco gajos! (risos) O que gosto neste disco é que encontras sempre uma luz a brilhar e isso é o importante. Com isto quero dizer que é do conhecimento geral que, mais cedo ou mais tarde, vamos todos morrer mas que existem alguns anos para gastar a ser um «badass» ou a dar algum sentido à tua existência. A «The Unseen» tem um grande vibe e julgo até ser um belo tema Funk de Post Punk!

Onde é a cidade dos pensamentos partidos? (ndr: Alusão ao tema «City of Broken Thoughts»)
É onde tu quiseres parar, respirar e recarregares as baterias. Pode ser qualquer sitio que te faça encontrar a ti mesmo e te faça regressar com mais força. É tudo sobre regressar e partir tudo à tua volta. Pelo menos eu gostava que assim fosse.

Depois de 2 décadas com os End of Green e com este novo som, quais são as vossas expectactivas com «Void Estate» e o que podemos esperar de vocês no futuro?
Não há expectactivas! Não nos damos bem com isso. Nós escrevemos canções e gravamos discos, depois vamos em digressão! É isso que é suposto fazer. Aprendemos isso nos últimos 25 anos. Se um dia acharmos que não somos capazes de fazer isto então tudo acaba. Foi assim que fixou decidido quando começámos e é asim que continuamos a pensar. No que toca a isso somos muitos oldschool. Também não acho que seja uma nova sonoridade na banda, chamo-lhe evolução e estamos ansiosos para perceber o que aí vem no futuro!

Queres deixar alguma mensagem para Portugal…
Quero agradecer o interesse na nossa música e dizer que não temos nada como garantido, dito isto, quero agradecer a todos e a cada um de vocês que apoia os End of Green.

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