Goath – Ritual de oposição

Na senda do primeiro álbum, «II – Opposition» sublinha um novo aspeto do ritual a que a banda se associa.

Info: Goath
Entrevista: CSA

Saudações! Cá estou eu de novo, desta vez para vos entrevistar sobre «II – Opposition», o segundo álbum de Goath.

A vossa editora afirma que o primeiro álbum – «Luciferian Goath Ritual» – foi um sucesso. Como se sentem relativamente a isto?

Adrastos – Bem, não temos nada a acrescentar. As reacções ao nosso primeiro álbum e as críticas publicadas sobre ele foram realmente fantásticas e continuamos a ter um retorno muito positivo. Até tivemos de encomendar mais cópias do álbum em vinil e CD e merchandising à nossa editora várias vezes, porque frequentemente vendíamos tudo depois dos concertos.

 

Este álbum também é muito agressivo.

– Que semelhança tem com o anterior?

Adrastos – Mais uma vez, temos uma mistura de Black e Death Metal, portanto não fizemos experiências neste novo álbum. Continuamos a ter as mesmas inspirações e visões tenebrosas que em 2015, quando fundámos a banda.

– Um aspeto que faz a diferença é que, desta vez, não gravaram o álbum ao vivo. O processo de gravação foi mais fácil?

Adrastos – Essa informação está errada, porque também gravámos o álbum ao vivo, como fizemos para a nossa demo e o nosso primeiro álbum. É a única maneira de fazer este trabalho que admitimos e contamos gravar os próximos álbuns da mesma forma.

Não sei se fazer a gravação doutra maneira seria mais fácil, mas tenho a certeza de que mudar de processo redundaria na perda de sentimento e de espírito e isso é que é o mais importante para nós.

– Já fizeram algum vídeo para promover este novo álbum?

Adrastos – Enquanto estava a responder a estas perguntas, o álbum inteiro foi disponibilizado pela editora no youtube, mas não vamos ter um vídeo profissional como o que foi feito no ano passado para a nossa canção intitulada “Retaliation”.

 

“[…] Continuamos a ter as mesmas inspirações e visões tenebrosas que em 2015, quando fundámos a banda.”

 

A quem querem opor-se?

Goat Hammer – Não é fácil responder a essa pergunta, porque não visamos nenhum grupo em particular. Trata-se antes da existência, da criação e da encarceração. Opomo-nos a qualquer tipo de opressão. Não nos viramos só contra os que escravizam outras pessoas, mas ainda mais contra os que os apoiam escravizando-se a si próprios. Criticar apenas a religião é demasiado fácil. O que se curva diante de senhores autoproclamados e quer persuadir outros a fazê-lo também é que é o verdadeiro hipócrita. Por exemplo: afirmar que a natureza é brutal, ao mesmo tempo que se nega que o ser humano também o é, apesar de aprisionar os seus semelhantes ou mesmo de os matar, não faz qualquer sentido. Recear a anarquia, porque para eles equivale às pessoas matarem-se uns aos outros, é apenas uma miserável confissão das pessoas de mente fraca que acreditam que as regras foram feitas para nos proteger uns dos outros, para tornar a vida mais fácil para todos. É mais que evidente que são naturalmente dotados da capacidade para serem incontrolavelmente violentos para com tudo e todos. Apesar de, geralmente, o assassínio ser proibido, nós cometemo-lo. Portanto, o que nos traz a lei senão a justificação necessária para punirmos violentamente os marginais demoníacos através de um “ato de justiça”. Pura consciência? Nós aprendemos isso! Os lobos não! Então de que temos medo? As pessoas virtuosas sentem-se como uma espécie de elite, porque, ao invés dos animais e da natureza que – segundo elea – foi criada por um deus, pensam que sabem o que está certo, o que está errado, o que é bom e o que é mau. Ao criar animais que são violentos, este deus afinal parece não ser infalível. Mas a verdade inegável é que essas regras foram feitas para que funcionemos como um instrumento, como o inimigo de uma autoridade instituída numa espécie de gulag ou campo de concentração. A única razão para nos manter vivos é fazer-nos durar até sermos inúteis e desaparecermos. A principal razão pela qual isto funciona em qualquer cena ou hierarquia é que cada elo da cadeia tem a sua função e está consciente disso, como uma espécie de ADN corrompido – chamam-lhe consciência, mas não tem nada a ver com sermos nós próprios ou com o reflexo que vemos no espelho todos os dias. Se acabar demasiado cedo, chamamos-lhe destino, atribuímos as culpas a um deus ou a qualquer outra entidade, porque a única coisa de que não temos consciência é de que tudo vai acabar um dia, de qualquer modo. Mas é o caos que define a ordem. Contudo, a sociedade continua a insistir em ignorar que a ordem apenas reforça as correntes do perpétuo “movimento de auto negação monoteísta” que usa de sua livre vontade. Tudo começa por nunca nos questionarmos sobre o que nos rodeia, não nos apercebermos de coerências ou de nos limitarmos a aceitar as contingências. Assim, o barco deixa o éter, o Estige e o barqueiro que não foi pago deixa-os insatisfeitos e inseguros. Lembro-me de ouvir falar de Jesus, de Maomé, etc. a pessoas que não conseguia respeitar devido ao seu comportamento egoísta e    que, quanto mais as ouvia falar dos “grandes significados” subjacentes, mais detestava os ícones e o “bem” que eles faziam e começava a perguntar a esses pregadores se as coisas não poderiam ser diferentes e acabava metido em sarilhos. Altruísmo? Nunca o vi neles. E, desde essa altura, comecei a sentir ira – como ainda sinto hoje – quando me apercebo de que alguém me está a mentir descaradamente e o apanho em flagrante delito. Quanto mais velho fico, mais me parece que é uma perda de tempo lutar contra esses mentirosos, porque o que dizem corresponde à sua realidade e nunca será a minha. E a isso que nos opomos. Viver o satanismo é a única maneira de ter sucesso, de crescer e de regressar ao lugar de onde viemos – às trevas, à morte, ao fogo negro que tudo devora, como quiserem chamar-lhe. Não é fácil de explicar, nem de viver. Mas, no fim de contas, sentimo-nos bem com isso e não se trata de sarcasmo!

 

Desta vez, a capa do álbum não é tão óbvia como a de «Luciferian Goath Ritual».

– Podem explicar o que significa?

Goat Hammer – Penso que a ilustração se explica por si mesma. Nela podemos ver decadência, podridão, morte, trevas e tudo isso está associado ao declínio que rodeia a figura. E depois há um centro. O ventre. Nele está a verdade. O Opositor, por nascer, logo ainda incapaz de se bastar a si próprio, alimentando-se da doença e da morte. Dormindo silenciosamente, preservado de todas essas coisas, ainda não corrompido, embora seja um bode. Para alguns o anticristo, o epítome do pecado, do medo, da falsidade. Para outros, o libertador, o que está consciente, o instinto, a sexualidade e a encarnação da liberdade. Na parte de trás, reencontrarás a imagem do primeiro álbum: o bode de «Luciferian Goath Ritual”. Portanto, este álbum é o resultado do primeiro ritual: «II – Opposition». A nossa chegada e o facto de que estamos aqui para entrar em guerra com as ordens que nos afastam da natureza que atravessa fronteiras e instaura um não conformismo libertador. É por isso que a primeira faixa se intitula “Revenge”. Escrevemo-la em alguns minutos, algumas noites antes de irmos para o estúdio. E não estou a gozar.

– Convocaram novamente o talento de Chris Kiesling?

Adrastos – Desta vez não. O artwork foi feito por um amigo próximo – Juri Schuetz – apesar de termos ficado extremamente satisfeitos com o excelente trabalho do Chris. Queríamos algo diferente e o Juri fez um trabalho fantástico. Vai também fazer desenhos para o nosso novo merchandising, em breve. Mantenham os olhos abertos!

– Como correram as coisas entre a banda e o artista gráfico?

Adrastos – Muitíssimo bem. Reunimos com ele, explicamos-lhe o que queríamos e ele fez a capa e o artwork tal e qual como nós queríamos num fim-de-semana.

 

“[…] também gravámos o álbum ao vivo […] tenho a certeza de que mudar de processo redundaria na perda de sentimento e de espírito […]”

 

Se o vosso primeiro álbum foi um sucesso, isso deve-se também em parte à Ván Records.

– O que planearam eles convosco para promover «II – Opposition»? Dentre esses planos, quais os que entusiasmam mais a banda?

Adrastos – A promoção consistiu em fazer dois clips para as canções “Myth of Forgiveness” e “Born of Fornication”, que foram postos online antes do álbum ter sido lançado. Como já referi, agora já está todo o álbum online. Além disso, respondemos a algumas entrevistas para promover o álbum e há publicidade em várias revistas. Tínhamos previsto fazer uma digressão de duas semanas em abril para promover o álbum, mas infelizmente esse plano não se concretizou por vários motivos. Portanto, vamos só fazer quatro concertos na Suíça e na Itália, mas que não têm nada a ver com a promoção feita pela Ván Records.

 

E como vai Total Hate, a tua outra banda, Adrastos? Têm algo novo para lançar em breve?

Adrastos – Fizemos um concerto no mês passado e temos mais dois previstos para maio. Pela primeira vez, estaremos juntamente com Goath em França, em meados de junho. Vai ser interessante tocar com as duas bandas, porque, quando esses concertos acontecerem, o Goathammer vai tocar guitarra para nós [Total Hate] pela primeira vez. Além dos concertos, já gravámos as pistas da bateria do nosso quarto álbum ainda no ano passado e vamos começar a gravar tudo o resto em breve. Penso que o álbum sairá no outono ou no inverno de 2018. A propósito, o baterista de Goath – o Serrator – agora é também membro permanente de Total Hate.

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