Master’s Hammer – «Fascinator»

Arautos do experimentalismo na segunda vaga de black metal (bem presente no controverso hermetismo do álbum «Šlágry»), assim como uma das mais antigas e emblemáticas bandas do género a emergir da Europa central, com as enigmáticas libações dos clássicos «Ritual» e «Jilemnický Okultista», o conjunto checo continua a empalidecer as limitações cromáticas do género com o atual «Fascinator». Imaginemos os Mothers of Invention possuídos pelos Bathory num delírio medieval de beladona. O presente trabalho continua a tendência desenvolvida após a rutura de mais de uma década de silêncio com o álbum «Mantras» de 2009, sintetizando a inclemência dos riffs com a bombástica sinfonia das teclas e militância da percussão (salientando os retumbantes tímpanos de Silenthell). Os solos são reminiscentes do heavy metal dos anos 80, conferindo alguma eloquência à bizarra primitividade das encantações eslavas encarquilhadas na garganta de Franta Štorm (num alucinado mix de Abbath e Attila Csihar). Mantêm-se algumas sugestões eletrónicas que não desconfiguram a simetria do álbum, ajudando a cimentar o seu lugar na lógica progressiva da discografia da banda. Revelam-se, contudo, notórias as desencantadas vocais femininas que surgem, pontualmente, numa espécie de torpor pós-orgásmico, cuja dissonância chega, curiosamente, neste universo paralelo, a incrementar o poder nostálgico de «Fascinator» pela época faustosa do catálogo da Osmose Productions.

(Jihosound Records)

[7.5/10] Frederico Figueiredo

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