Škán – À procura da essência

Vida e morte combinam-se na mensagem que Škán procura divulgar através da sua música.

Info: Skan
Entrevista: CSA

Saudações, Joseph! Tenho estado a ouvir o álbum de Škán e a descobrir um avatar de Metal (nomeadamente Black Metal) muito inovador.

 

O primeiro aspeto da banda que me chamou a atenção foi o seu nome, que me deixou muito intrigada. A leitura da informação dada pela editora permitiu-me descobrir que se trata de uma palavra vinda do Sioux Lakota.

– Como se pronuncia esta palavra?

Joseph Merino – Diz-se Škáŋ.

– Podes definir o conceito subjacente a ela?

A palavra Škáŋ tem origem na tradição oral e um significado que é difícil de explicar usando palavras fora da língua e cultura tradicionais de que saiu. Škán é algo muito real, não é um conceito abstrato, logo é difícil de definir. Nas histórias que ouvi ou li, corresponde ao céu ou à essência de que é feito o céu, representa o movimento do universo, é a energia vital que permita que todas as coisas se movam. Tudo está em constante movimento, quer nos apercebamos disso, quer não. A ciência só agora está a descobrir aquilo a que as culturas antigas chamavam eons. Eu tenho a minha ideia pessoal do que é Škán, mas isso só iria baralhar ainda mais as pessoas. É melhor deixar cada um dar a essa palavra a sua interpretação pessoal.

– Por que escolheram essa palavra para ser o nome da vossa banda?

Não foi exatamente escolhido, surgiu antes na sequência de uma espécie de revelação, que aconteceu lá por 2011. Isso aconteceu num momento em que a minha mente estava completamente vazia, desprovida de qualquer pensamento. Foi nessa altura que a palavra Škán se apoderou da minha mente. Desde essa altura, tudo o que faço está associado a Škán.

– Algum dos membros da banda tem alguma relação com a nação Sioux?

Há uma relação, mas é algum de índole privada. Nenhum de nós representa a nação Sioux.

– De um modo geral, como é que as pessoas reagem ao nome da banda?

Algumas ficam baralhadas, enquanto outras procuram encontrar um significado profundo para essa palavra. Nos EUA, pensam frequentemente que é uma palavra de origem escandinava e as pessoas geralmente têm dificuldade em pronunciá-la.

 

“[Škáŋ] Nas histórias que ouvi ou li, […] representa o movimento do universo, é a energia vital que permite que todas as coisas se movam. […]”

 

A vossa música é realmente muito original. No entanto, todos temos de ir buscar ideias a algum lado. Que bandas influenciam Škán?

A música de Škán tem realmente uma natureza muito própria. As ideias são algo que só entra nos estádios finais do processo de composição de Škán, depois de a música se ter revelado. Quanto a saber que bandas nos influenciam, trata-se se uma pergunta feita muito frequentemente às bandas a que geralmente são dadas respostas muito parecidas umas com as outras. Cada membro de Škán tem as suas preferências musicais próprias, alargadas e profundas. Podíamos perguntar isso a todos e requerer respostas completas sem chegarmos a lado nenhum. O essencial é que se pode estabelecer uma clara distinção entre bandas cuja expressão artística tem substância e outras que são vazias. Por que acontece isto e de onde vem a música genuína, a música com substância?

 

Como descreverias as principais características da música da banda?

Škán atinge o seu ponto máximo nos concertos. A nossa música é feita para ser apresentada ao vivo, porque é nessas circunstâncias que ela assume toda a sua plenitude. É aí que Škán está verdadeiramente presente, se expande e existe mesmo. Cada peça é uma parte do todo, portanto cada detalhe da música faz parte daquilo a que chamarias as principais características da música da banda. Basicamente, a música mostra-nos o que devemos fazer.

 

Como estão as funções artísticas organizadas em Škan?

Tudo começa por uma visão da música. Essa visão chega por si mesma, não é algo que vamos buscar depois de começarmos a compor. Quando chega, pode requerer diferentes formas de perceção. Isso significa que – apesar de ser música – umas vezes é ouvida, outras é visualizada. Outras vezes ainda, é sentida de uma forma mental ou emocional. As letras surgem da mesma forma. Todos trabalham essa visão, de uma maneira ou de outra, embora todos sejamos guiados pela música: esta é que nos mostra o que temos de fazer. Tudo se vai tonando cada vez mais interessante, à medida que o processo avança.

Skan – Joseph Merino

Qual é o tema central de “Death Crown’’, o vosso primeiro álbum?

Penso que os títulos das canções, as letras e a música que as acompanha podem dar-te uma resposta melhor do que eu próprio. Por outro lado, também me parece que é melhor cada um interpretar esse título à sua maneira.

 

E que tópicos são abordados em cada canção? Sinto particular curiosidade no que diz respeito a “À Mort” e “Father Qayin”.

Foram mais propriamente os tópicos que nos abordaram a nós, não nós que os abordámos a eles. “À Mort” significa “até à morte”. “Father Qayin’ está relacionada com a história de Caim que matou Abel. Mas, francamente, tudo está organizado de modo a que seja o ouvinte a tirar as suas conclusões sobre o significado das canções.

 

Por que é que a capa do álbum corresponde ao logo da banda? E o que representa este?

O emblema que se pode ver na capa do álbum corresponde a uma representação visual de princípios essenciais para Škán, daí que o tenhamos escolhido para desempenhar essa função.

 

Quem o fez?

Foi transposto para o papel por Robert Cook, da Norot Art. Este emblema corresponde à interpretação que a Norot deu ao emblema original de Škán e resultou da comunicação entre a banda e o artista.

 

De que modo se relaciona com o EP intitulado «The Old King»?

Os EP «The Old King» e «Part I and II» são apenas lançamentos anteriores. «The Old King» foi lançado pela própria banda, a 11 de novembro de 2013. Mais tarde, foi novamente masterizado e lançado pela Ván Records como a primeira parte do EP em quatro partes.

 

A propósito dos vossos concertos, a Ván Records fala de “gripping, esoteric music” e “exhilarating, ritualistic performances”. O que fazem durante as vossas atuações?

Limitamo-nos a submetermo-nos à vontade da música. Não encontro outra forma de descrever o que fazemos ao vivo. Desde já convido todos a participar nestes eventos. A música gravada proporciona já algum prazer às pessoas.  Contudo, a música foi feita para ser ouvida ao vivo, porque é nessas circunstâncias que esta atinge o seu potencial máximo.

 

Percebi que já fizeram alguns concertos ao longo da vossa carreira? Podes referir os mais importantes (do teu ponto de vista, claro)?

É difícil responder a essa pergunta. Cada concerto constitui uma experiência diferente e todas têm o seu valor, quer tenhamos consciência disso na altura, quer não. Mesmo assim, gostaria de destacar um evento em que participámos: o Acherontic Festival, na Alemanha. Tomaram parte nele muitas bandas apresentando diversas formas de música. Espero que este festival continue a realizar-se.

 

“[…] é importante […] isolarmo-nos, sem nada que nos distraia, e observar bem a sombra que existe dentro de nós. […] Nesse lugar, habitado por uma dor que pode parecer insuportável, encontra-se a verdade […]”

 

Têm mais concertos previstos para apresentar «Death Crown» ao universo do Metal? Que bandas irão tocar convosco?

Mais tarde ou mais cedo, vamos fazer concertos. Mas, de momento, não tenho nada a dizer, a não ser que vai haver um espetáculo de lançamento do álbum.

Também estão a decorrer negociações com outras bandas, mas, para já, não tenho nenhuma informação que possa divulgar.

 

Já têm um successor para «Death Crown»?

Neste momento, estamos focados noutros aspetos de Škán.

 

O que podes dizer-nos sobre os EP que têm estado a lançar («Part I and Part II») e que irão lançar em breve («Part III and Part IV»)?

O EP «Part III» e «Part IV» vai ser lançado logo que possível e não contém material que já tenha sido lançado em «Death Crown» ou no EP «Part I and Part II».

 

Qual é a principal ambição de Škan atualmente?

As visões que animam Škán continuarão a ser divulgadas pela Terra, com uma frequência e uma intensidade cada vez maiores. São fogo que abrasa a ilusão, que acende as tochas dos que têm a mesma essência, que nos une aos que têm os mesmos ideais e procuram incendiar este mundo. A morte da ilusão, a transformação através da morte, a ascensão do que sofreu a transformação, tudo isto anima Škán há muito tempo.

 

Queres deixar alguma mensagem especial aos nossos leitores?

O mundo habitado pela humanidade é um lugar estranho. Desde o nascimento, ensinam às pessoas ou dizem-lhes muito simplesmente o que está certo ou errado, o que é bom e o que é mau, o que é valioso e que o não é, o que é real e o que é irreal e por aí adiante. Muitas pessoas nunca se dão ao trabalho de pôr em causa essas ideias, limitam-se a viver as suas vidas sem se dignarem dar a mínima atenção a algo que saia desse contexto, nunca questionam a realidade – ou antes, a ilusão –, nunca procuram ver o que existe sob a superfície. Mas há também aqueles que têm consciência da necessidade de se interrogarem sobre o que os rodeia e de como é difícil fazer parte da humanidade. Isto é interessante, não é? Muitas pessoas evitam o desconforto, escondem-se da verdade, sobretudo se esta lhes mete medo ou as deixa pouco à vontade, sempre à procura de algo as preserve das dificuldades. Podes observar isto no quotidiano, sobretudo nas cidades (tu mesmo podes sentir-te assim).

Penso que é importante pôr de parte essas tendências, isolarmo-nos, sem nada que nos distraia, e observar bem a sombra que existe dentro de nós. Abstrairmo-nos dos pensamentos que nos controlam e deixarmo-nos levar pelo desconhecido e pelo que receamos. Aceitar esse medo e essa atribulação e deixa-los apoderarem-se de nós por completo e consumir-nos. Nesse lugar, habitado por uma dor que pode parecer insuportável, encontra-se a verdade, algo que raramente vemos. Perguntas-me se quero deixar uma mensagem especial aos vossos leitores e eu deixo-vos estas palavras, que são mais preciosas que todo o ouro que existe neste mundo para os que quiserem mesmo lê-las.

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*