Thunderwar – Jovens e desconcertantes

Foi este o tom adotado por Madness, o membro da jovem banda polaca a quem coube a tarefa de satisfazer a curiosidade da Versus Magazine.

Info: Thunderwar
Entrevista: CSA

A Polónia é um país de onde são oriundas várias bandas de renome. Estou a pensar em Behemoth, Decapitated, Redemptor, Vader, que já passaram pelas páginas da Versus Magazine.

– Como se situam na cena Metal polaca?

Madness – Imagina que a cena Metal polaca é uma calha a partir da qual podes entrar num esgoto ou tentar chegar à rua. Mas, se escapares dali, arriscas-te a que as pessoas não consigam suportar o cheiro desagradável que exalas. As bandas que mencionaste já não cheiram mal há algum tempo, porque tomaram um banho e mudaram de roupa. Caminham tranquilamente no passeio a par de outras bandas globais. Quanto a nós, para já, continuamos na calha vivendo alegremente como ratos, tendo de suportar algumas bandas maiores de vez em quando. Não queremos cair no esgoto. Como somos ratos feios, não nos importamos com o mau cheiro, mas, estando à superfície, é mais fácil apanhar algumas migalhas. Isto não soa a orgulho, mas eu estou orgulhoso do que sou.

– Embora a vossa editora afirme que são sobretudo influenciados por bandas estrangeiras (sobretudo escandinavas e americanas), sentem que têm alguma ligação com bandas polacas?

Claro, com todas! No fim de contas, estamos todos na mesma calha! Agora a sério: não me sinto especialmente ligado às bandas polacas. Abro exceção, para alguns compinchas, como, por exemplo, Morthus, Bestiality, Truchło Strzygi (Vampire Corpse), etc. Sinto-me muito bem com alguns deles, sobretudo quando estão longe de estarem sóbrios.

 

Gosto mesmo da vossa música. As guitarras são leves e melódicas, a bateria discreta, mas muito eficaz, a voz emerge asperamente de várias camadas de música.

– O que pensas desta descrição da vossa música?

Podia ser mais poética, mas, de facto, é precisa.

– Têm algum compositor principal na banda?

Sim. Mr Witold. Raramente nos deixa compor seja o que for. Comparados com ele, somos apenas maus guitarristas.

– É a mesma pessoa que escreve as letras ou preferem ter membros diferentes a fazer esses trabalhos?

Não! As letras de «Wolfpack» foram escritas pelo pior guitarrista: eu. E não vou deixar mais ninguém fazer isso, porque sou eu que canto e quero perceber o que digo. Muitas letras de «Black Storm» [o álbum anterior, lançado em 2016] foram escritas pelo nosso amigo Drzewiak. São boas e ambiciosas, mas demasiado intelectuais para o meu gosto. Como sou um gajo despretensioso, comecei a escrever letras simples e bárbaras.

 

“[] não me sinto especialmente ligado às bandas polacas. Abro exceção, para alguns compinchas, como, por exemplo, Morthus, Bestiality, Truchło Strzygi […]”

 

Por que decidiram lançar um miniálbum com cinco canções? Já tinham sido escritas, mas não tinham encontrado lugar para elas no álbum anterior? São completamente novas?

São todas novinhas em folha. Queríamos lançar algo rapidamente e não tínhamos tempo, nem dinheiro, para pensar num novo álbum. O resultado é muito espontâneo. Os miniálbuns têm algumas vantagens. Pelo menos, tens a certeza de que todas as canções foram trabalhadas até ao pormenor, serão ouvidas integralmente e não estão lá para tapar buracos. «Wolfpack» é uma espécie de rapidinha com uma rapariga no duche. Depois vais festejar.

 

Qual é a faixa favorita de cada membro da banda neste álbum?

A melhor faixa é provavelmente a cover de Darkthrone, embora o original seja melhor.

 

Veem-se como uma espécie de alcateia (como no título que escolheram para o vosso álbum)?

Não completamente. A canção intitulada “Wolpack” é uma homenagem aos heróis polacos que lutaram pela nossa liberdade. Comparámos esses lutadores a lobos, porque costumavam esconder-se nos bosques, saindo dos seus covis para atacar e foram objeto de caça ao homem. Queres saber se nos sentimos como uma alcateia? Somos demasiado mansos, uns autênticos cães domésticos, descendentes afastados que nem conseguem matar uma galinha para fazer canja, quanto mais disparar contra comunistas ou nazis. Penso que, em caso de perigo a sério, fugiríamos com o rabo entre as pernas. Não sabemos como foi mesmo, mas sentimos que os veteranos e os que morreram merecem eterno respeito e honra.

 

Por que não há lobos na capa do álbum? O que queria o artista representar e como relaciona a sua arte com o álbum?

Não há lobos, mas podes ver nela o crânio de um veado que foi devorado por eles. A mensagem não é literal, mas é transmitida na mesma, de forma simbólica. Como somos uns grandes artistas, não gostamos de soluções óbvias!

De facto, a capa reflete perfeitamente o estado de espírito do artista e os dilemas que estava a enfrentar nessa altura. O recurso à caveira do veado é a sua forma de denunciar as restrições sociais que o tolhem e a forma como o ser humano é escravizado pelo sistema… Falando mais seriamente, o artista não fez nada de moto próprio, teve de se ater estritamente às nossas indicações e às nossas expetativas relativamente à capa, que, de qualquer modo, é muito sóbria.

 

Onde vão tocar no próximo verão? A vossa música parece-me excelente para festivais.

No próximo verão, gostava de ir para um país tropical, ficar alojado num bom hotel, tomar daquelas bebidas com pequenos guarda-sóis, dormir numa cama com lençóis de cachemira e fazer massagens thai, tudo incluído no pacote. No que diz respeito a tocar, não gosto de fazer planos. E, para ser franco, prefiro fazer férias radicais (por exemplo, fazer caminhadas nas montanhas). Mas não diria não a um romance curto, com conforto e prestígio.

 

Vão partilhar o palco com alguma das vossas bandas favoritas?

Não sei. Mas vou perguntar a um adivinho.

 

O baterista Pawel já é um membro permanente de Thunderwar? Conheço-o de Redemptor, uma banda que já entrevistei duas vezes.

O Pawel deve tocar aí em 350 bandas. Felizmente, nós também fazemos parte dessa elite, desse círculo exclusivo. Portanto, de vez em quando, vão ver-nos juntos num palco. Contudo, se alguma vez ele deixar de ter tempo para tocar connosco, eu já tenho um trunfo na manga: um jovem promissor chamado Krzysztof Klingbaum. Já tocou connosco num concerto e estamos ansiosos por trabalhar mais com ele.

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*