Uada – Tecendo canções

Gostamos desta descrição do seu mister dada por Jake Superchi, em nome dos americanos Uada.

Info: Uada
Entrevista: CSA

(c) All band photography by Peter Beste
Peter Beste is a documentary photographer based in Portland, Oregon, USA.
http://www.peterbeste.com

Photography taken at Mt. St. Helens/Gifford Pinchot National Forest, WA, USA.

And The Witch’s Castle/Forest Park, Portland OR, USA.

Saudações, Jake! Mais uma vez, deixei-me fascinar completamente por uma banda de Black Metal. Gosto especialmente das que vêm de França e dos Estados Unidos e, é claro, das portuguesas. Também sou uma grande fã da música do Eisenwald. Têm um gosto irrepreensível no que toca ao Black Metal. Como vos encontraram?

Jake – Quando Uada começou a dar concertos, uma fotógrafa amiga – Veleda Thorson, de Portland – falou de nós à Eisenwald. É muito amiga do dono da editora – o Nico – e recomendou-nos. Quando este álbum ficou pronto, mandamo-lo e ele respondeu imediatamente dizendo que tinha estado à espera do nosso trabalho. A sua paixão e dedicação pela Eisewald e por Uada não têm par e é uma grande honra e prazer seguir caminho sob o seu pendão e orientação.

 

Já vi que fazes quase tudo na banda: compões a música, escreves as letras, cantas, tocas guitarra.

– Posso dizer que a música de Uada é encantatória, porque há uma melodia criada pela guitarra principal, que se desenvolve em torno da bateria, do baixo, da tua guitarra e também da tua voz áspera?

– Onde encontras inspiração para compores a música?

– E para as letras?

Embora eu faça muito trabalho para a banda, não posso deixar de dizer que, no que diz respeito às letras, o James também tem feito muito trabalho. Ele escreve todos os seus leads e harmonias… Não posso ficar com o crédito todo.

Para mim, a composição é uma arte em si e algo que eu gosto muito de fazer. É preciso tecer, criar, fazer feitiços… em suma, é uma verdadeira forma de magia.

Gera uma espécie de história, que é preciso contar e em que cada canção funciona como um capítulo, que se liga ao seguinte. É uma imitação da vida, com os seus altos e baixos, os seus picos e os seus vales. Nós, humanos, podemos subir muito alto, mas também podemos cair bem fundo. Como a música é uma arte universal, faz todo o sentido que a usemos para traduzir a dinâmica das nossas ascensões e das nossas quedas.

A inspiração vem de todo o lado, de maneiras diferentes, quer tenhamos consciência disso ou não. Estar unido a alguém através da arte e do universo pode ser uma bênção ou uma maldição, dependendo da tua perspetiva, mas eu e os meus companheiros de banda estamos muito gratos por podermos partilhar os nossos dons.

 

De que temas trata este álbum?

É um álbum de 55:55 sobre a reflexão, encarada em todos os seus aspetos. É uma reflexão sobre a sociedade, doenças mentais, o eu, a ganância que nos atormenta. É um álbum muito humano, composto e gravado com muita frustração. É o nosso segundo capítulo, que acaba de ser concluído e abre já a porta para outro novo.

 

Para mim, a composição é uma arte […] É preciso tecer, criar, fazer feitiços… em suma, é uma verdadeira forma de magia.”

 

Como te organizaste com os teus companheiros de banda para produzir um álbum tão coerente e coeso? Ao ouvi-lo, fica-se com a sensação de que não há absolutamente nada fora do lugar!

Há belos momentos de percussão neste álbum (por exemplo, em “The Wanderer”). Como foram criados?

Temos de escrever sobre o que nos parece correto e o que faz sentido para nós. Temos de estar atentos a todos os pormenores. Temos de estar atentos à qualidade.

A percussão em “The Wanderer” foi gravada com uma guitarra acústica. Quando estávamos a ouvir a faixa, lembrei-me de “Planet Caravan” [dos Black Sabath]. No início, a nossa ideia era pôr o baterista a fazer algum trabalho na canção, já que não tínhamos uma bateria à mão naquela altura. No estúdio, apercebemo-nos de que ele não tinha nada pensado para a canção e, a certa altura, eu comecei a bater na minha guitarra acústica para improvisar ritmos para encontrarmos ideias. Tinham aquele som que ia na minha cabeça nessa altura, portanto gravámos logo ali.

 

O único aspeto do álbum em que não intervieste foi o artwork, mas certamente deste algumas instruções ao artista, não é verdade? A personagem que aparece na capa do álbum corresponde ao “vagabundo” que é referido no título de uma das canções?

Kris Verwimp é um dos meus artistas favoritos desde os anos 90. Quando eu era um adolescente a descobrir os meus primeiros álbuns de Black Metal e a mergulhar profundamente no género, frequentemente dava comigo a contemplar demoradamente as capas que ele fazia para alguns deles. Achava-as muito inspiradoras e faziam-me pensar em como gostaria de poder um dia contactá-lo para fazer obras-primas para música que eu tivesse criado, tornando-a assim inspiradoras para outros como tinham sido para mim.

O Vagabundo identifica-se com todos, mas responderei à tua pergunta dizendo: sim e não. O lançamento do próximo álbum – que fecha a trilogia – dará as verdadeiras respostas a todas as perguntas.

 

A banda faz muitos concertos, ao que parece. Já tinham estado em todos esses países ou foi a vossa primeira visita (pelo menos a alguns)?

Pessoalmente, viajo muito. Mas muitos desses países são novidade para Uada. Todos nós fizemos a nossa primeira visita à Europa em 2017.

 

Quem escolheu a Eisenwald para partilhar o palco convosco?

Houve muitas bandas fantásticas, tais como: Alda, Tardigrata, Krater, Anguish, Au-dessus, Furia, Besatt, Wolves in the Throne Room. Havia ainda outras, de que não me lembro de momento. Sentimo-nos muito humildes perante tal companhia.

 

“[O álbum] É uma reflexão sobre a sociedade, doenças mentais, o eu, a ganância que nos atormenta. […]”

 

Como esperavam ser recebidos no Velho Mundo?  Por que não incluíram Portugal e a Espanha na vossa digressão europeia?

Não sabíamos bem o que esperar, mas estávamos prontos. Trabalhámos desde sempre para chegar aqui e arrebatar a Europa era um dos nossos muitos objetivos.

Infelizmente, os nossos itinerários ainda não passaram pela Península Ibérica. Houve promotores que manifestaram algum interesse, mas as datas não eram convenientes. Esperamos, no próximo ano, conseguir ir visitar esses países. Ouvimos dizer que são ambos muito bonitos.

 

Qual foi o melhor momento de Uada até agora?

O agora é sempre o melhor momento, porque nos vai levar ao seguinte. Depois de termos dado as boas vindas aos nossos novos membros, sinto que estamos na nossa melhor forma e            que isso se vai tornar evidente em breve.

 

E qual é a vossa maior ambição atualmente?

Continuar a criar arte de nossa livre vontade e deixar um legado musical que seja recordado muito depois de termos desaparecido.

 

Desejo-vos – a ti e à banda – a melhor sorte.

Obrigado e igualmente.

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