O mais recente trabalho de T.J. Cowgill assenta no tema da guerra e apresenta-se como uma soturna alegoria sobre a irascível sede do ser humano pelo conflito. “Time to go to War” prepara o ambiente do álbum num envolvente e elegíaco tom, encompassado na fúnebre cadência de esvaídas notas de piano. Um dos mais cabisbaixos temas de King Dude a abrir caminho para a indulgência EMO de “Velvet Rope”, uma viciante e orelhuda faixa a transpirar a sentimentalidade gótica que se evidencia ao longo do álbum em “I Don’t Write Love Songs Anymore” ou “Dead on the Chorus”, faixas que conseguirão multiplicar o seu eco nos tímpanos dos fãs de Cowgill, recordando os tempos áureos dos The Cure, Sisters of Mercy ou Fields of the Nephilim. A familiaridade das referências não se esgotam aí, sendo que tão cedo somos igualmente embrenhados na lânguida embriaguez dark jazz de “Good and Bad”, a sugerir os mais melancólicos temas dos saudosos Morphine, na sensualidade de um dueto de Cowgill com Josephine Olivia. As reverberações sombrias deste estonteante caleidoscópio impelem-nos ainda para o dinamismo post-rock de “The Castle”, para depois nos convidarem para o dançável registo eletrónico de “In the Garden”,  ou até, de uma forma mais atrevida e inusitada, nos provocarem com a insinuação ska de “Let it Burn”. King Dude revela-se assim mais audacioso que nunca, transfigurando-se em múltiplas camuflagens que adornam o seu singular registo de folk e dark americana. De salientar a genialidade de “Twin Brother of Jesus” num cruzamento que evoca Depeche Mode, nas suas “Songs of Faith and Devotion”, mesclado com a assertividade empedernida de uns delta blues. Numa discografia de irrepreensível genuinidade, «Music to Make War To» exponencia os talentos deste compositor no ápice de uma já ilustre e notável carreira.

(Ván Records)

[9/10] Frederico Figueiredo

 

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