PENSÉES NOCTURNES – «Grotesque»

Pegar na crueza do black metal e enfiar-lhe uma vestimenta requintada é a habitual receita do black metal avant-garde. «Grotesque», o segundo álbum lançado pelos franceses Pensées Nocturnes (originalmente saído em 2010, foi reeditado pela LADLO neste ano de 2018), oferece, em termos musicais, tudo aquilo que se pede a quem gosta deste subgénero, e em termos líricos também não é nada de desprezar, apresentando conceitos nihilistas e pós-nihilistas (veja-se “Paria”, com o seu algo nietzscheano final: “Je suis le Corbeau Blanc / L’oiseau affranchi du temps / Survivant de l’ennui / Je deviendrais ce que je suis.”). As vocalizações “grotescas” de Vaerohn, a máscara por trás dos Pensées Nocturnes, prestam-se bem à mensagem que se deseja passar, ao traduzirem uma certa carga de desespero que se encontra vincada nas letras. Instrumentalmente, o maior elogio que «Grotesque» merece é o de ser equilibrado, pois nunca se mostra demasiado técnico e/ou experimental, tendência que ocorre em muitos projectos, nem sempre com resultados positivos. Tal equilíbrio entre a crueza black metal e o requinte avant-garde é mesmo um dos principais motivos por que vale a pena (re)descobrir este «Grotesque», passados tantos anos. Não será tempo dado por perdido, bem pelo contrário.

(Les Acteurs de L’Ombre)

[8/10] Helder Mendes

 

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