Entrevista Testament

ROME, ITALY- JULY 27 ,2016: Testament photographed in Rome, Italy on July 27, 2016. © Gene Ambo
Testament © Gene Ambo

São, talvez, a mais alta representação do Thrash Metal mundial! Do mais puro e letal veneno fez-se uma tenebrosa víbora, sedenta por vos arrastar às profundezas do inferno e devorar as vossas almas. Outubro vê nascer «The Brotherhood of the Snake»… e os Testament estão de volta!

Olá Eric! É um grande prazer poder falar contigo. Uma vez que ainda não temos o álbum connosco como é que descreves o novo álbum?
Bem, «The Brotherhood Of The Snake» só irá sair a 28 de Outubro e para já foi retirado um single, a faixa título, que é uma música que cai que nem uma bomba, implacável e realmente agressiva. Conforme o álbum avança vai-se tornando mais melódico e com um twist mais trash, ao estilo de Testament. «The Brotherhood Of The Snake» fala de temas actuais como, por exemplo, a legalização da canábis para fins medicinais. Temos algumas músicas old school, anos 80, como a «Black Jack» que fala do jogo e da sorte. Há realmente algumas coisas que não estão relacionadas com uma sociedade secreta, mas a maioria de facto entra nesse conceito.

A minha próxima questão era sobre quem escreveu as letras e qual o conceito, mas já respondeste à questão do conceito. Quem foram os responsáveis pelas letras?
Na maioria foram escritas pelo Chuck. Ajudei-o em alguns arranjos, mas foi essencialmente ele. A faixa título, por exemplo, foi escrita por ambos. Todas as músicas foram escritas por mim, salvo algumas partes em que tive a colaboração dos outros membros.

Musicalmente falando que caminho seguiram depois de «The Formation of Damnation» e «Dark Roots of the Earth»?
Temos estado muito tempo em digressão e tocamos muitas coisas, tanto novas como clássicos e isso acaba por nos influenciar. Oiço vários estilos de música, mas para os Testament e nesta altura, com tanta coisa a acontecer, achei que era importante termos um álbum que fosse pesado o suficiente, mas que também tivesse alguma melodia. É o que nos caracteriza, fazemos o melhor que conseguimos com a solidez da nossa música. Este é o nosso 11.º álbum e, dito isto, não é fácil, quando usamos a mesma fórmula, não nos copiarmos, e arriscamos, com isso, a que os álbuns se tornem repetitivos. Creio que não foi isso que aconteceu com este, conseguimos torná-lo fresco, mais ainda, com o estilo de Testament.

Neste primeiro single o que salta logo à vista é que não há solos. Existe uma espécie de solo após o primeiro refrão, mas daqueles solos que estamos habituados em Testament, não existem. Isto significa que andam à procura de um novo som?
Funciona, é música, não tem obrigatoriamente de ser de uma determinada forma. Esta música, quando a oiço não me incomoda que não tenha solos. Há faixas, que depois do refrão, não voltas para o início mas sim para um novo segmento. Quando ouves a «The Pale King», após o refrão a música segue numa direção completamente diferente. Quando fechas um ciclo, como acontece com os Testament, e com muitas outras bandas, após o terceiro, quarto álbum, e dizes “ok, agora já sei como se compões uma canção”, começas a ser influenciado quer pela editora, quer pelo facto de começares também a ouvir a rádio, e abres o horizonte para outro género de música, percebes que esta não tem regras. Há claramente influências tradicionais, afinal tens a intro, o verso, o bridge, o verso, o refrão, o solo, e por aí fora, e funciona, mas não queremos estar limitados a esta fórmula.

E relativamente à voz do Billy, é mais do estilo demoníaco ou mais suave e melodiosa?
Creio que é um pouco de ambos. A primeira música que ouviste, a «The Brotherhood Of The Snake» é mais agressiva, mas à medida que o álbum vai avançando, vai tornando-se mais aguda, mais jovem, mas ainda assim, mantendo elementos graves para dar profundidade.

Existe alguma música do género da «The Legions of the Dead»?
«The Legions of the Dead»… essa música é o máximo. Para compor algo desse género a responsabilidade recairia sobre mim, seria algo que eu comporia. Não tive a oportunidade de escrever algo assim tão louco, mas temos algumas músicas como «The Number Game» ou a «Black Jack», embora esta tenha um vibe muito anos 80, mas ainda assim é bastante rápida. Para comparar as duas diria que, entre elas, existem séculos de sofrimento. Tem influências da banda G.B.H. ou punk rock, e aqueles riffs à «The Legions of the Dead». Diria que metade do álbum é trash.

Referi a «The Legions of The Dead» porque tocaram-na no concerto em Portugal, no antigo Hard Club, quando o Chuck Billy anunciou que iam tocar esse tema eu fiquei a questionar como é que aquele gajo consegue andar aos saltos e tocar com àquela velocidade.
É o que acontece quando és possuído pelo “holy ghost!”

Não sei se o Steve DiGiorgio e o Gene Hoglan podem ser considerados membros da banda. Eles tiveram alguma participação na composição do álbum?
Não. Depois das músicas estarem escritas chamei-os e ensinei-os a tocar as músicas. É claro que eles colocaram o seu cunho. Todos aquelas ligações nas malhas de baixo, é tudo do Steve DiGiorgio, mas claro que manteve estrutura base. Em relação ao Gene Hoglan é basicamente a mesma coisa, os padrões da bateria foram criados por mim, mas o Gene Hoglan tornou-a sua.

Na tour ambos vão tocar com a banda?
Sim.

Li numa entrevista do Chuck que este foi o álbum mais difícil que fizeram. Porquê?
Acho que estava a falar sobre ele. Creio que para ele foi mais difícil no sentido de ter tido alguma dificuldade em compor e desenvolver as suas partes. Obviamente não posso falar por ele, mas visto de fora, ele estava a lutar sobre o que fazer, mas assim que se deixou ir, e nisso trabalhámos juntos, especialmente após a «The Pale King», tudo se tornou mais fácil e fluído.

Este álbum foi produzido por Juan Urteaga juntamente contigo e o Chuck. Porquê o Urteaga?
Juan foi o engenheiro, tratou das gravações. Quem o produziu fui eu, o Chuck tratou da parte dos negócios. Podes dizer que foi um trabalho a três. Formamos uma boa equipa, todos contribuímos para que a produção acontecesse. Para a mistura escolhemos o Andy Sneap porque trabalhamos com ele desde «The Gathering». Falámos em trabalhar com outras pessoas e realmente tentámos, mas acabámos sempre por voltar ao Andy. Gostamos do som dele, já nos conhece e sabe o que fazer com a nossa música.

Na capa é possível ver duas cobras, já nos álbuns «The Gathering» e «Dark Roots of Earth» este elemento também estava presente. Qual é a relação dos Testament com este réptil?
É uma conspiração. É a nossa sociedade secreta e tu desmascaraste-a. (Risos)

És o responsável pela parte gráfica do álbum. És um artista gráfico ou a contribuição é ao nível das ideias?
Mais as ideias, mas os esboços são meus porque até desenho relativamente bem. Não faço nada a nível profissional, mas esboço as ideias base.

Qual é a tua opinião relativamente à dicotomia entre a mistura com a vertente no volume do som e a que defende a dinâmica daquele, como a que encontramos no vinil?
Eu acho que o som geral é um pouco de ambos. Definitivamente é alto, mas o som é claro. Não há nada que seja demasiado carregado, nada fica abafado. Não são 4 ou 6 guitarras como muitos fazem, são apenas duas guitarras como se fosse ao vivo, mas com boa produção. A esperança é que ao vivo soe exactamente igual.

Ainda relativamente à parte gráfica, neste último trabalho, o conceito foi teu. E a ideia?
Para este álbum o Chuck arranjou o título, de resto é uma colaboração entre o Eliran (Kantor) e eu, sendo que a ideia inicial, dos humanóides a segurar as serpentes, foi dele. Assim que vi a ideia sugeri mais alguns elementos. Se no «Dark Roots of Earth» o título foi ideia minha e a parte gráfica partiu igualmente de mim, neste álbum o trabalho é quase todo dele. Esta vai ser a primeira vez que, se comprares os CD, o livro terá cerca de 20 páginas e cada uma delas terá arte abstracta referente a cada música. Por isso para além da capa há mais 10 peças de arte. Esta pertence a Marcelo Vasco (https://www.facebook.com/marcelovascoarts/) numa colaboração com o Eliran. Foi a primeira vez que tivemos a colaboração de dois artistas.

Os Testament têm excelentes power ballads, a «Dark Roots of Earth» tem a «Cold Embrace». Existe alguma neste «The Brotherhood Of The Snake»?
Por mim havia uma em cada álbum, mas às vezes é difícil convencer o Chuck a cantá-las. Embora ele soe muito bem, não gosta muito delas. Eu escrevi uma para este trabalho, mas por causa do timing já não foi possível adicioná-la. Por isso, posso-te garantir que o próximo álbum terá uma balada fantástica. E nós não gostamos de as chamar de baladas, elas não são baladas, são apenas músicas mais lentas. Chamemos-lhe slow atmospheric song.

Li num site que antes de lançarem o álbum «Low», a vossa editora da altura, a Atlantic, vos pediu para fazerem um álbum mais alternativo. É verdade?
Creio que não estivemos muito longe de quando nos pediram um álbum alternativo. Pensa no que a palavra alternativo significa… Alternativo significa pensar fora da caixa, em algo diferente. A pop culture da altura, quando se falava em alternativo, significava tocar o mesmo que todos os outros e, na altura, o que todos tocavam era música grunge, por isso fomos sarcásticos e dissemos que iríamos ser alternativos e lançámos o primeiro single «Dog Faced Gods». Portanto naquela janela temporal fomos alternativos.

E a seguir saíram da Atlantic…
Sim, foi o nosso último álbum com eles. Mas divertimo-nos muito e é uma boa editora.

Uma última questão, vocês vão tocar no dia 10 de Novembro numa sala muito porreira no Porto – Coliseu. O que poderemos esperar de vocês?
Podem esperar os Testament no seu melhor. Vamos ter um óptimo set, de um pouco menos que uma hora, o suficiente para mostramos o nosso metal à audiência. Vamos tocar clássicos bem como músicas novas. Esperemos que seja um bom concerto. Gostamos do país e gostamos de tocar no Porto. E estamos ansiosos por beber vinho do porto.

 

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