Sabaton – Lição de história

Os Sabaton continuam a surpreender pela sua originalidade e energia. «The Last Stand» é mais uma lição de História numa carreira sempre em ascensão e estes Suecos não param… aliás, ainda estão só no início.

 

Antes de mais, parabens pelo novo álbum. Li algures que foi número um na Suécia

Pär Sundström: Sim! Muito obrigado! Em primeiro lugar estou muito orgulhoso do novo álbum, parece que todos os jornalistas e amigos o apreciam. É número 1 na Suécia e em muitos outros países também. Até agora é definitivamente o nosso grande sucesso e eu apenas olho para a frente para ver o que acontece, quantas pessoas vão gostar mas com certeza, estarei muito orgulhoso.

 

Uma coisa que nos Sabaton (acho eu) é talvez mais importante do que a música é a letra e os conceitos subjacentes. Qual é o tema ou conceito que suporta este álbum?

Pär: Em primeiro lugar, acho que somos uma banda de metal e a música vem primeiro, é assim que escrevemos. Nós vemo-nos mais como pessoas ligadas ao heavy metal, do que historiadores, professores, médicos ou algo assim. Mas é claro que temos que cantar sobre alguma coisa, e em vez de cantar sobre algo que realmente não nos importamos ou não sabemos muito sobre o assunto, preferimos fazer letras sobre conceitos ligados à História. Isto encaixa na nossa música e nos nossos interesses pessoais. O novo álbum, “The Last Stand” é obviamente sobre as últimas batalhas e segue o «Heroes». De alguma forma, «The Last Stand» é muito semelhante ao anterior, já que algumas das músicas eram, precisamente, tópicos no álbum “Heroes”. Até agora foi uma evolução natural; é bom para nós e torna tudo mais interessante porque podemos decidir sobre o tema que queremos. Os dois primeiros temas foram encontrados quase imediatamente: A última batalha do Samurai – «Shiroyama» – e a batalha de Thermopylae – «Sparta». Isto ficou logo decidido e depois tínhamos dois séculos e meio de Grécia antiga para escolher o que nos interessasse mais. Somos livres e muito abertos para decidir e escrever sobre qualquer coisa e foi isso que fizemos.

 

Como e onde é que vocês pesquisam estas histórias?

Pär: Bem, a maior parte das ideias recebemos dos nossos amigos e fãs. Se ouvirmos uma história que, mesmo assim, não nos possa interessar escrevemos algumas palavras e guardamos para um momento em que achamos que devemos escrever sobre isso e compor. Então, vamos para a biblioteca e é lá que começamos a ler muito sobre isso. Não lemos história todos os dias.

 

Na minha opinião, “Caroulous Rex” foi um épico com temas muito directos e incisivos, mas com “The Last Stand”, acho que vocês pegaram em alguns elementos do álbum anterior. Porquê “reciclar” algumas ideias?

Pär: Na realidade não pensamos muito nisso e não temos nenhuma fórmula. Nós fazemos as melhores músicas que podemos e elas acabam por ser assim. Às vezes podemos retirar algum que soe muito semelhante a outro mas não planeamos que tipo de temas vamos escrever.

 

Contrastando com este facto, vocês adicionaram alguns elementos novos nunca antes ouvidos nos Sabaton: uma “Gaita-de-foles” e um órgão Hammond. Quem teve essa ideia e quem tocou esses instrumentos?

Pär: Na verdade… já tínhamos usado um pouco o Hammon no passado, mas não foi regra e nem sequer fazemos solos com ele! Joakin é originalmente quem toca mas o Hammond é o nosso advogado; ele disse que se arranjasse-mos alguns temas onde o pudesse incluir, então, ele levava o dele. E isso aconteceu. Dissemos-lhe que tínhamos um tema onde o podia encaixar. O Hammond B3 é um instrumento clássico, muito antigo e de alguma envergadura. No estúdio houve um problema eléctrico e pegou fogo, o que até foi engraçado mas depois levantou uma série de problemas quando tivemos de arranjar as peças de substituição. Na Suécia há só uma ou duas pessoas aptas para o fazer; falamos com uma delas e tudo se resolveu. Mas isto para nós foi uma novidade. Quanto à “Gaita-de-foles”, foi uma escolha natural adicionar logo após termos feito a letra para “Blood of Bannockburn” e ficou fantástico.

 

Fazem planos para tocar estes temas com estes instrumentos ao vivo?

Pär: Por agora vamos nos mantendo como os teclados pré-gravados. Mas não estamos a planear trazer um tocador de “Gaita-de-foles” connosco na digressão só por causa de um tema. (risos)

 

Outra coisa que gostei muito e não consigo ver nos álbuns anteriores – pelo menos tão pronunciada – são os solos de guitarra. Em alguns temas eles são muito clássicos. Quem fez os solos?

Pär: Os solos são feitos pelo Thobbe e o Chris. Acho que eles realmente evoluíram com os Sabaton. Além disso, é extraordinário ver e ouvir o que fazem e como trabalham no estúdio. Ambos fazem os solos para todos os temas e estão sempre na brincadeira, a ver quem faz o melhor riff. (risos) Eles tornaram-se cada vez mais clássicos porque nenhum está interessado em fazer solos rápidos, somente deixarem-se levar pelos sentimentos e emoções.

 

Peter é considerado o sexto elemento da banda. Em que álbuns é que ele contribuiu?

Pär: Na realidade ele tem vindo a colaborar desde o «Primo Victoria» porque ele esteve sempre connosco para nos ajudar, quer seja no som das guitarras, bateria, etc.

 

Para ser considerado o sexto elemento é porque é extremamente competente e vocês estão muito satisfeito com o trabalho desenvolvido. De que forma podemos ver a influência dele neste álbum?

Pär: A sua maior tarefa é ajudar-nos no som. Quando chegamos ao estúdio os temas já estão quase terminados e totalmente produzidos, não há espaço para grandes mudanças porque já sabemos o que queremos. No que diz respeito ao som, aí nós não nos metemos no trabalho dele.

 

Infelizmente, a banda como um todo é estável e tu e o Joakim são os únicos membros fundadores ainda na banda. Recentemente, Thobbe saiu. O que aconteceu?

Pär: Bem, ele explicou bem isto na mensagem. Ele tem vontade de tocar temas mais longos, improvisar, tocar quando sentir que deve tocar e não em constantes digressões. Como é óbvio respeitamos isso. Nós sabemos como ele é e nos Sabaton não há muito espaço para improvisos. O público merece toda a nossa dedicação, quer ouvir a nossa música e nós temos um compromisso com eles, além de que esperam sempre que os Sabaton soem a… Sabaton.

 

Podemos dizer que ele foi vítima do vosso sucesso?

Pär: Não, na verdade não foi. Mais do que não estar dentro daquilo que é a banda, por exemplo, os Sabaton são rigorosos, trabalham arduamente e andam muito em digressão enquanto que Thobbe é mais um “espírito livre”, que faz as coisas dele quando acha que deve fazer e isto não se coaduna com um membro dos Sabaton (risos) Ele tem de ir para o palco, todos os dias, independentemente do seu estado de espírito.

 

Tommy Johansson é o novo guitarrista, o que é que vocês esperam dele?

Pär: Tommy foi logo a primeira escolha e já tinha sido da primeira vez há cinco anos quando procurávamos novos guitarristas. Já o conhecíamos e sabíamos que era (e é) um grande fã de Sabaton, além de que é um excelente músico e um tipo porreiro. N’altura disse que não porque estava envolvido em projectos pessoais e não nos foi possível contar com ele. Mas agora, quando lhe liguei a perguntar se queria juntar-se a nós, ele aceitou. Foi um processo bastante simples e ele já conhecia muitas músicas e quase não teve de ensaiar; tenho a certeza que as pessoas vão gostar dele e que ele contribuirá para a música dos Sabaton. Ontem demos o primeiro concerto com ele e correu lindamente.

 

Olhando para estes anos mais recentes, depois de «Caroulos Rex» vocês lançaram o «Swedish Empire Live» – um tremendo concerto em Woodstock. Mas pouco antes de “The Last Stand”, lançram “Heroes on Tour live” no Wacken Open Air. O «Swedish Empire Live» foi absolutamente incrível e vocês foram os cabeças de cartaz. Porquê do lançamento destes dois álbuns ao vivo e quais foram as principais diferenças entre eles?

Pär: Com o «Swedish Live Empire», na Polónia, foi um passo natural porque tínhamos membros novos e n’altura era uma banda completamente diferente e foi uma forma de mostrar ao mundo que eram os Sabaton. O último ao vivo – «Heroes on Tour» – nós tivemos tão boas críticas e muita gente sempre a perguntar porque não fazíamos outro álbum ao vivo que pensámos: “Porque não?” … E queríamos também mostrar alguns sítios da nossa terra natal, do género: “Isto é o que fazemos depois de uma digressão”. Foi um concerto em Wacken e outro na nossa cidade: Sabaton Open Air. Os fãs pediam e nós fizemos. (Risos) É provável que também façamos um DVD depois desta digressão

 

(Não sei se concordas, mas …) «Caroulos Rex» foi o álbum que definitivamente impulsionou a vossa carreira que por agora culminou com «The Last Stand». Está a ser uma carreira sempre em crescendo e você já tocaram com Iron Maiden e os Accept estão a fazer as primeiras partes dos vossos concertos. Lembro-me daquela multidão no Woodstock e o palco principal no Wacken. A última vez que tocaram em Portugal foi numa pequena sala, agora vocês vão tocar no Coliseu – uma excelente sala de espectáculos. Quando começaram, alguma vez pensaste chegar onde estás agora?

Pär: Quando nós começámos nunca pensei nisto; foi algo que foi crescendo. Tens razão quando dizes que foi com o «Caroulos Rex» mas não foi só o álbum… foi também, a mudança de line-up que aconteceu em 2012 que nos permitiu elevar a música a um outro nível. Em 2011 estávamos numa luta para tentar levar toda a gente nas exigentes digressões porque nem todos estavam dispostos a ir nessas condições. Como disse, em 2012 tudo mudou e pudemos, então, fazer melhores concertos, apesar de eu já estar confiante que poderíamos levar a banda a este nível. Para mim já não é nenhuma surpresa porque fizemos isto nós próprios; não temos empresários ou gestores, somos nós que tomamos todas as decisões.

 

Quais foram as maiores dificuldades que encontraste?

Pär: Bem… quando mudámos 4 membros, em 2012, de alguma forma foi muito complicado; foi difícil explicar à editora que pensaram que os Sabaton tinham acabado. Eu tive de explicar que eles não compuseram nenhum tema, Joakim compôs a música, eu e ele fazíamos as letras e eu tratava da gestão da banda. Basicamente, o núcleo da banda estava intacto e depois dos novos membros se juntarem ficou ainda melhor. Ah… e em 2005 quando lançámos o nosso primeiro álbum: Na Alemanha pensaram que eramos Neonazis (risos) música de propaganda Neonazi e tive que falar com todos os distribuidores e dizer-lhes para lerem as letras porque não eramos Neonazis. As pessoas pensaram que foi fácil mas não… já lá vão 17 anos o que é mais de metade da minha vida! (risos)

 

O que é que podemos esperar dos Sabaton no futuro?

Pär: Podem contar que vamos continuar o nosso trabalho e a fazer o que temos vindo a fazer. Nem por longe estamos fartos de fazer isto. Na realidade, só agora nos começámos a sentir muito bem com o que temos vindo a fazer, porque actualmente podemos fazer os concertos que queremos, temos os nossos profissionais e, portanto, o som é do melhor. Também já não estamos excessivamente cansados quando subimos ao palco e não entramos em festas tantas vezes (risos), logo não acordamos de ressaca (risos). Estamos a levar isto muito seria e profissionalmente e estamo-nos a sentir melhor do que nunca. Portanto, não há que ter medo dos Sabaton!

 

Na Suécia vocês têm um festival com o vosso nome…

Pär: Sim, Sabaton Open Air

 

Como é organizar um festival com o vosso nome?

Pär: (risos) No próximo ano vamos fazer 10 anos de festival, portanto, já fazemos isto há nove! Tudo começou com um pequeno festival num recinto fechado e já vai num de três dias em recinto aberto, com dois palcos e trinta e três nacionalidade. É extraordinário e emocionante mas já não estou tão envolvido directamente só faço algumas reservas de bandas e promoção. É emocionante estar lá todos anos e ver a felicidade dos fãs que vêm de toda a parte para nos ajudar a construir o recinto, são três dias onde há muito convívio. É realmente um sítio muito especial.

 

Como disse, em Janeiro vão estar em Portugal. O que é que o público pode esperar de vocês?

Pär: Todos vocês podem esperar uns Sabaton em forma e desde que tocámos pela primeira vez em Portugal, que foi em 2006 com Edguy, que gosto muito do público português e vocês vão-nos fazer muito felizes. Não tenho dúvidas que vai ser uma grande noite e que vai ser divertido tocar no Coliseu. Ouvi muitas coisas boas acerca dessa sala.

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