Entrevista com Créatures

Uma imaginação prodigiosa

 

É este o principal traço do criador de Créatures, uma one man band que acaba de lançar o seu primeiro álbum intitulado «Le Noir Village».

Entrevista: CSA

 

créaturesEste álbum é verdadeiramente intrigante e tenebroso… logo super interessante.

Onde foste descobrir esta aldeia aterradora? Existe mesmo ou é uma invenção de Créatures ?

Sparda – Obrigado pelo elogio! A aldeia saiu inteirinha da minha imaginação. Inventei os nomes dos locais e nem sequer especifico em que país se situa a aldeia. Tendo em conta a época e arquitetura, dá apenas para perceber que se trata de uma povoação na Europa Ocidental.

 

O que representa esta aldeia aterrorizada por monstros ? E que monstros são estes? Apenas criaturas lendárias ou símbolos dos males que afligem as pessoas na atualidade?

Le Cloaric (nome que dei à povoação) é uma aldeia de camponeses do séc. XII. Os monstros que a atormentam são figuras de horror provenientes do folclore ou da religião e que marcaram a literatura, o cinema, os jogos de computador, etc. Delas fazem parte um lobisomem, um morto-vivo, um fantasma, um vampiro e um demónio.

 

A capa do álbum é fantástica, porque nos mergulha de imediato em todo o horror do cenário em que se desenrola a narrativa. No entanto, ao mesmo tempo, a povoação tem um ar pacífico. Quem a fez? Parece banda desenhada de horror.

Trata-se de um quadro de um amigo muito talentoso: Simon Hervé. Pedi-lhe que me fizesse uma vista panorâmica da aldeia, sem vida, com um ambiente glauco. De um modo geral, ele inspirou-se na pintura naïf. Conseguiu transcrever para a sua imagem exatamente o que eu tinha na minha cabeça, parece que conseguiu entrar no meu cérebro.

 

Foi o mesmo artista que fez a pintura e os seis desenhos incluídos na edição digipack ?

Sim, o Simon fez também os seis desenhos, um para cada canção (bem como um mapa). Imitou o estilo das gravuras em madeira do séc. XV, como se se tratasse de imagens alusivas às lendas da aldeia. O logo e o design do digipack e do livrinho foram feitos por Roy de Rat, um outro artista excelente com quem trabalho há vários anos, nos meus outros projetos.

 

Fizeste algum livreto para a tua ópera de Black Metal? É esse o conteúdo do livro de 16 páginas que também está no digipack?

De modo nenhum. O livro apenas conta a história da aldeia. Não exprime propriamente um conceito. Por vezes, comparam Créatures a uma ópera, porque as personagens da história são interpretadas por cantores diferentes, que se exprimem na primeira pessoa.

 

Dado Créatures ser um projeto a solo, és tu que fazes tudo. De que forma colaboraram contigo os artistas que convidaste para o álbum (segundo informação dada pela tua editora)?

Em Créatures, eu asseguro a composição, a escrita, as guitarras, o baixo, o piano, o órgão, alguns instrumentos folclóricos os vocais de Lothaire (na canção “L’Horreur des Lunes Pleines”). Convidei amigos para tocarem os instrumentos que eu não domino e para fazerem os vocais relativos às outras personagens da história.

 

Quem convidaste?

Ehrryk (de Gotholocaust) gravou a bateria, que eu compus. Sha’ Ilùm, Cam.L, LeksyK e Lazareth gravaram respetivamente os instrumentos de percussão orientais, o violoncelo, o violino e o trompete. Os outros nove convidados interpretaram nove habitantes ou monstros da aldeia.

 

Pode-se dizer que há momentos irónicos no álbum (apesar do horror)? Estou a pensar na canção “Martyr d’un Tanneur”, por exemplo.

Essa história tem uma faceta um tanto « kitsch », porque nela figuram as seis figuras de horror que eu reuni na aldeia. Mas essa canção não pretende ser irónica.

 

Fala-nos um pouco das bandas que te inspiram.

No que toca ao lado concetual, tenho King Diamond como principal referência. Adoro o seu hábito de escrever histórias para cada álbum (que se vão desenrolando junto com as canções), de interpretar as personagens de modo teatral e de compor música que acompanha o guião do álbum. Foi exatamente isso que eu tentei fazer com Créatures. No que diz respeito à música, apesar de Creátures ser influenciada por grandes nomes do horror como Notre Dame, Tartaros, The Vision Bleak ou Gloomy Grim, eu ouço muito pouco essas bandas. As minhas influências são múltiplas e abrangem numerosos estilos de Metal e mesmo de outros tipos de música. É por isso que «Le Noir Village» é tão variado. Gosto sobretudo de bandas experimentais: The Ruins of Beverast, Krallice, Dodheimsgard, Ved Buens Ende, Arkha Sva…

 

Vais dar concertos para dar a conhecer a tua aldeia assustadora?

De momento, não tenho nada previsto, mas, se encontrar músicos de sessão motivados, terei muito gosto em preparar isso. Seriam live grandiloquentes, com figurinos, cenários e encenação.

 

Já tens novas histórias em mente? Estou interessada nelas.

O próximo álbum tratará de um só monstro, para tornar a história mais credível. Será uma espécie de thriller medieval.

 

O que distingue Créatures dos outros projetos em que estás envolvido ?

O facto de ser um projeto a solo dá-me liberdade total na composição. Quando tenho uma ideia, não tenho de negociar com ninguém, de fazer cedências para levar outros músicos a aceitá-la e isso agrada-me muito. E por isso que este álbum de Creátures é tão doido, aborda tantas direções: não me impus nenhuns limites, nenhuma restrição.

 

https://www.facebook.com/creatures.horror/

 

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