Fäulnis – Punk apolítico

Parece ser esta a visão que Seuche (frontman de Fäulnis) tem da essência da música que faz com os seus companheiros.

Entrevista: CSA

Info: Faeulnis

 

 

Este álbum é absolutamente fantástico. Adorei o estilo geral da música que combina na perfeição com a voz agreste e o ritmo Punk.

Seuche – Obrigado!

 

O meu primeiro contacto com o movimento Punk data de quando eu tinha 18 anos. Ainda me lembro da surpresa (e repugnância) que a estética relacionada com esse movimento cultural suscitou nas pessoas. O que é Punk em Fäulnis?

O Punk é Fäulnis… Eu cresci a ouvir Punk Rock de bandas como Slime, Razzia, Blumen am Arsch der Hölle, quando tinha 10/11 anos. Usava o cabelo às cores e odiava a polícia, haha! É difícil responder a essa pergunta. O Punk é uma parte de mim e eu sou Fäulnis. É uma atitude que se situa entre a expressão “Fuck the system!” e algo tenebroso (como, por exemplo, “In Ohnmacht” de «Snuff ||Hiroshima»). E canções tocadas com três cordas… A própria música é mais ou menos apolítica. Como já disse, é difícil responder. Depois destes anos todos, eu tenho a minha própria definição de Punk, assim como também tenho a minha forma pessoal de conceber o Black Metal. Aliás, hoje em dia, fico contente, quando consigo ter alguma paz e sossego.

 

[O Punk) É uma atitude que se situa entre a expressão “Fuck the system!” e algo tenebroso […].”

 

Como combinas esse movimento “popular” (criado por pessoas que se sentiam longe dos privilegiados e reagiam contra estes) com o Black Metal (muito mais ficado num background cultural geralmente relacionado com elites intelectuais)?

Não percebi bem a pergunta… Como afirmei acima, tenho o meu entendimento pessoal do que é o Punk, assim como tenho a minha conceção pessoal de Black Metal, ao fim destes anos todos. Estou a borrifar-me para os movimentos “populares” e para as elites intelectuais. Limito-me a compor música, a escrever letras e, no fim, o que faço assemelha-se a uma mescla de Punk e Black Metal e é isso. Muito aborrecido, não é?

 

Há uma banda “clássica” de Black Metal que também afirma ter aderido a uma estética Punk. Estou a pensar em Darkthrone. Sentes-te inspirado por esses músicos?

Não. Gosto de Darkthrone – especialmente de «Panzerfaust». Também gosto do novo material deles, mas trata-se de um Punk e de uma atitude diferentes. Ou não será assim? Para ser franco, não sei dizer. Faz o que te der na veneta e o resto não interessa.

 

Podemos considerar que há um toque de Metal Industrial na vossa música (pelo menos neste último álbum)? Ao ouvir a segunda faixa, lembrei-me de Aborym, por exemplo.

Porque, nos 2 últimos minutos, a bateria está distorcida? Não, Metal Industrial não é uma influência para nós.

 

A vossa banda sente-se especialmente influenciada por alguma(s) banda(s), presente(s) ou passada(s)?

Basicamente, por tudo o que eu ouço. Houve uma altura em que eu era jovem e ingénuo e só queria fazer Black Metal e era muito influenciado pela segunda vaga desse movimento. O resultado final não se parecia nada com isso, mas esse facto não interessa a ninguém. Depois comecei a tocar Punk-Chords e combinei-o com isso. Nasceu “30. Juli, bewölkt”. E assim por diante… Mas nunca houve nenhuma banda específica cujo som eu quisesse emular.

 

Ouvindo a vossa banda, percebe-se que são músicos experientes. Onde adquiriram as bases que os levaram ao ponto atual?

Os meus rapazes são músicos experientes. Eu só tenho ideias. Mas todos nós fazemos música desde há 15 ou 20 anos.

 

“[…] Estou a borrifar-me para os movimentos “populares” e para as elites intelectuais. Limito-me a compor música, a escrever letras [ …]

 

Contra que culto se manifesta «Antikult»?

Não é especificamente contra nada. É uma mistura resultante das coisas que Fäulnis defende e de todos os anos de experiências que tu podes ter reunido. Não sou fã da tendência atual que pende para a defesa de cultos/rituais, etc.

 

Não leio em Alemão, não tive acesso a uma tradução e não confio nas que se podem obter no Google Translator. Por favor, explica-nos quais são os tópicos principais deste álbum e a forma como Fäulnis os vê.

O mar, a embriaguez, estar bêbedo à noite em grandes cidades, conflitos, a escuridão, estar perdido numa metrópole, a ilusão, experiências. São tudo experiências dos anos que passaram, reunidas e registadas por escrito.

 

Quem cria esta fascinante mistura de melodia (guitarras e baixo), ritmo obsessivo (sobretudo a bateria), desespero e violência (a voz) que não permite ficar indiferente à vossa música?

Bem… eu e a minha banda.

 

E quem escreve as letras?

Eu, Seuche.

 

E como consegues manter o fôlego, enquanto “cospes” as linhas de voz das vossas canções? Considero o teu estilo vocal extremamente expressivo.

Não tenho técnica nenhuma, daí que acabe quase sempre os concertos com uma grande dor de cabeça…

 

Não te sentes um tanto ou quanto fora deste mundo a cantar dessa maneira?

E, muitas vezes, fico estonteado e vejo tudo negro, só diviso trevas… Depois, quando “acordo”, sinto frio e o meu corpo parece-me estranho e, alguns segundos depois, a realidade atinge-me em cheio…

 

A capa do álbum é fantástica. Quem a fez? De que forma ilustra o espírito de «Antikult»?

É da autoria de Alex/Irrwisch (https://de-de.facebook.com/Irrwisch.Artdesign/), um grande homem e um excelente artista. Representa o abutre, o mais feio animal existente… alimentando-se de outros animais, em decomposição…

 

Podes comparar este álbum com os vossos lançamentos anteriores?

O som deste é mais sujo. Mas quem quer fazer o mesmo álbum duas vezes? Representa mais um passo, uma nova perspetiva.

 

Pressuponho que vão fazer concertos, uma vez que a vossa editora faz referência a digressões na informação relativa a este lançamento. Onde é que já foram? Como reagiram as pessoas a este álbum? Ficaram tão fascinadas como eu?

Temos tocado sobretudo na Alemanha, mas também estivemos na Itália, na Suíça e na Áustria. Reagiram… bem? Quando estou no palco, tenho muita dificuldade em analisar a multidão, mas pareceu-me que as pessoas gostaram.

 

E onde vão estar nos próximos tempos?

Vamos fazer mais uns concertos na Alemanha.

 

E com quem vão partilhar o palco?

Asphyx, Pungent Stench, Verheerer, Imperium Dekadenz, Funeral Procession, etc.

 

Suponho que não vêm a Portugal (infelizmente). Mas há alguma banda portuguesa com quem gostassem de tocar numa digressão?

De momento, Moonspell é a única banda portuguesa que conheço. Gostava de os ouvir tocar «Wolfheart».

Obrigada pelas perguntas, em que revelas tanto interesse pelo nosso trabalho!

 

 

 

 

 

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