Blaze of Sorrow – Homens silvestres

A floresta é a base da música desta banda italiana, que faz um maravilhoso Black Metal atmosférico.

Entrevista: CSA

Info: Blaze of sorrow

 

[Crio música] da forma mais espontânea que seja possível, sem introduzir alterações nos resultados para seguir tendências. […]”


A vossa música é (quase) demasiado bonita para existir.

Li na informação apresentada pela Eisenwald – uma editora que respeito imenso devido ao seu excelente catálogo – que Blaze of Sorrow já está no ativo há 10 anos.

Podes contar-nos como começaste esta aventura? E quais foram os seus momentos-chave até agora?

Peter – Antes de mais, obrigada pelos elogios. Fico feliz por saber que gostaste do nosso trabalho.

Tive sempre uma enorme paixão pela música desde a minha infância. Cresci rodeado de vinis e cassetes e comecei a tocar guitarra muito cedo. Nunca gostei de fazer covers, sempre quis criar algo que fosse apenas meu. Nestes anos, muitas coisas mudaram, mas a minha forma de criar música manteve-se. Faço-o da forma mais espontânea que seja possível, sem introduzir alterações nos resultados para seguir tendências. Nunca fiz planos e continuo a não me preocupar com o que vou fazer no futuro. Logo veremos o que o tempo me vai trazer.

 

Tu és muito criativo. Este é o quinto álbum da banda e ainda têm mais uma série de outros lançamentos. Qual é o teu segredo?

Não tenho nenhum segredo, faço só o que gosto de fazer. Para mim, a coisa mais importante no mundo é criar algo que evolua ao longo do tempo, sem me preocupar em focar-me em algo que me poderia aborrecer ao fim de algumas canções. Por vezes, uso na minha música alguns instrumentos menos convencionais, outras vezes socorro-me de influências que são alheias ao género musical a que me dedico.

 

Onde encontras as ideias que te ajudam a criar um som tão bonito?

Procuro transpor-me e aos meus pensamentos para a música que faço. Para mim, a melhor forma de criar algo novo é ir para o meio de nenhures, através das árvores, e tentar encontrar um equilíbrio. Tudo o resto vem naturalmente.

 

 

 

 

 

 

“[…] Por vezes, uso […] instrumentos menos convencionais, outras vezes socorro-me de influências que são alheias ao género musical a que me dedico.”

 

 

 

 

Sentes-te influenciado por outras bandas? Talvez por alguma forma de folclore italiano?

Ouço música de géneros muito diferentes, desde Rock à música clássica, portanto as minhas influências são muito variadas. Mas não me sinto influenciado por nenhuma banda em particular. Gosto muito de folclore italiano e estou certo de que vais encontrar alguns vestígios dele ao ouvir Blaze of Sorrow.

 

Como te sentes ao veres Blaze of Sorrow comparada a bandas como Agalloch e Katatonia?

Estou orgulhoso. Em ocasiões anteriores, falei de «Pale Folklore» e «Brave Murder Day», que são álbuns maravilhosos, de que sempre gostei muito e que ainda ouço atualmente.

 

«Astri» é um álbum concetual?

Não. Nunca foi minha intenção fazer um álbum concetual. Como já expliquei, para mim, escrever música é algo muito pessoal, portanto estou constantemente a fazê-lo, influenciado por coisas como um momento triste na minha vida ou uma bela paisagem. Não me concentro em conceitos. Prefiro sentir-me livre, para poder exprimir o que eu quiser.

Adoro o contraste entre as suaves melodias da guitarra e dos teclados, os batimentos delicados da bateria e a voz bem áspera. É realmente inspirador. Quem escreveu a música e as letras para este álbum?

Obrigado, Cristina. O processo de composição é simples. Quando já consegui construir algumas estruturas básicas para as canções, começamos a tocar juntos e trabalhamos até ficarmos satisfeitos com o resultado obtido. Quando a canção está pronta, eu escrevo a letra.

Este álbum é muito diferente dos seus antecessores?

Bem, há certamente algo que os une a todos. O nosso percurso musical está sempre a mudar, mas nunca alterámos a forma como criamos a nossa música. Portanto, direi que não é muito diferente dos outros, mas que tem algo de novo.

 

Também adoro a capa do álbum. Quem convidaste para fazer o artwork para «Astri»?

A capa e os desenhos do livrinho que acompanha o álbum foram pintados por uma artista italiana que se chama Elisa Urbinati. Trabalhámos juntos durante um ano e estou convencido de que o produto final é brilhante.

 

E o que tens a dizer-nos sobre concertos e festivais? Têm alguns planos especiais para promover este álbum?

Tocar ao vivo é muito importante para a banda, mas sempre apostamos na qualidade, não na quantidade. Temos alguns concertos previstos para países como a Áustria, a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, a França, a Bulgária e a Itália, ainda este ano, e estamos verdadeiramente ansiosos por tocar.

 

A Itália não é muito conhecida (no que diz respeito ao Black Metal), mas essa situação parece-me injusta. Estou a pensar em bandas como Aborym, Hornwood Fell, Riti Occulti e Selvans (que já entrevistei) e Forgotten Tomb (que espero vir a entrevistar um dia). O que nos podes dizer sobre a cena Metal italiana?

É uma cena de grande qualidade e a crescer muito rapidamente, nestes últimos anos. Penso que temos boas bandas, que merecem ser mais conhecidas.

 

Têm alguma ligação com Portugal ou bandas portuguesas?

Nunca tocámos em Portugal, mas ficaríamos orgulhosos se tivéssemos a oportunidade de o fazer. Já estive aí, como turista. Visitei o Porto. Lisboa, Braga e Guimarães e adorei esses lugares e a cultura que representam.

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