MONOLITHE – «Nebula Septem»

 Álbum Versus

Nada supera a mística universal do número 7. Sete são os dias da semana e as cores do arco-íris. Sete são os dias da criação do Genésis e sete são os pecados capitais. Sete é o numero mágico do Apocalipse e sete são as portas do inferno Islâmico. Sete são os mares e sete são os céus… O 7º registo de originais dos doomsters Monolithe contém 7 temas, cada um dos quais composto no tom de uma das 7 notas da escala diatónica, tendo exactamente 7 minutos de duração e títulos que se iniciam com as primeiras 7 letras do alfabeto. Curiosidades numerológicas à parte, este é, musicalmente, o disco que vê a banda parisiense expandir os seus horizontes sónicos muito para além daquilo que já fez em «Epsilon Aurigae» e «Zeta Reticuli». Se os três primeiros temas do alinhamento ainda conservam aquela toada trágica e pungente do doom sombrio e esmagador (“Coil shaped volutions” é aqui o caso mais paradigmático), os quatro seguintes já exploram um vocabulário sónico inédito até agora: elementos electrónicos, contornos progressivos, orquestrações subtis, mais linhas melódicas de guitarra e composições genericamente menos depressivas. Tudo isto, claro, sem desvirtuar a atmosfera doom, mas conferindo à música um carácter francamente mais aventureiro. Gravado com um septeto de músicos (mais um apelo ao simbolismo transcendente do número 7), onde se inclui um novo e convincente front man de nome Sébastien Pierre bem como um terceiro guitarrista, Rémi Brochard, «Nebula Septem» é possivelmente o trabalho mais acessível até agora do colectivo, mas representa acima de tudo um dos momentos mais geniais da banda gaulesa.

LADLO Productions

[9/10] Ernesto Martins

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